ALQUIMISTAS DO ORDINÁRIO E TESSITURAS SURREALISTAS: REPRESENTAÇÕES DO “REAL”, VOZES E IMAGENS DO INVISÍVEL NAS POESIAS PORTUGUESA E BRASILEIRA CONTEMPORÂNEAS
Palavras-chave:
Poesia Contemporânea Brasileira; Poesia Contemporânea Portuguesa; Surrealismo; Representações do “real”.Resumo
Enquanto são privilegiadas ideias, temáticas, abordagens e estéticas realistas, o olhar voltado ao submerso do mundo é sempre revolucionário e visionário, pois busca penetrar o íntimo do que quer ser visto inviolável. Em todas as épocas, a humanidade relaciona-se com o “real” que excede, mas também se nutre, (d) o material de modo profundamente simbólico, de onde insurgem (re)criações do mundo sensível e do mundo das ideias elaboradas a partir da abstração dos sentidos. Na modernidade, o Surrealismo fez da criação poética, num estado entre sono e vigília, uma arte voltada ao mundo, pelo que nele pode ser experienciado e fingido de forma ontológica, teológica ou suprassensível. Tais elaborações abstratas, semioticamente complexas, têm sua razão de ser pela abstração do pensamento linear, nas fundações da realidade percebida. Assim, poderemos observar, amparados pelos contributos dos estudos antropológicos e filosóficos do imaginário, repercussões dessa estética na poesia contemporânea portuguesa e brasileira, nomeadamente em poemas de Isabel Meyrelles, Leonora Rosado, Roberto Piva e Rita Medusa.
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