CORPO, METAMORFOSE E RESISTÊNCIA FEMININA: PATRIARCADO E VIOLÊNCIA RITUAL EM “YO, COCODRILO”, DE JACINTA ESCUDOS
Palavras-chave:
metamorfose, patriarcado, crítica feminista, Jacinta Escudos, literatura latino-americana, Yo, cocodriloResumo
A complexa luta das mulheres contra o patriarcado e sua constante busca por transformação e autonomia é refletida especialmente em narrativas femininas. Personagens femininas, muitas vezes, encontram-se em meio a normas patriarcais, internalizando expectativas que reforçam a submissão, o que evidencia o impacto dessas normas na vida íntima e subjetiva das mulheres. Mesmo ao tentarem resistir, enfrentam obstáculos que as levam a reproduzir esses padrões, criando uma dinâmica de opressão e, ao mesmo tempo, de sutis atos de resistência. Rituais sociais, como casamento e maternidade, reforçam a ideia de que a identidade feminina está atrelada à sua função dentro da família e da sociedade, moldando a autoimagem das mulheres. Em alguns casos, a violência entre mulheres ilustra a competição em um ambiente de recursos limitados e a busca por validação masculina, desvirtuando a verdadeira solidariedade feminina e, indiretamente, sustentando o patriarcado. Um exemplo simbólico desse embate aparece na transformação da protagonista em "Yo, Cocodrilo", onde, ao se transformar em crocodilo, ela desafia as normas patriarcais, obtendo uma força que transcende os papeis impostos a ela. Esta metamorfose representa a superação dos limites e um ato de rebelião que subverte as expectativas de gênero, marcando uma ruptura radical com as tradições opressivas. No conto que será analisado neste artigo, veremos que o corpo, símbolo sagrado de identidade na sociedade, é transformado em objeto de metamorfose do sujeito, como uma estratégia de sobrevivência em um contexto patriarcal, onde rituais de mutilação feminina são praticados. Para embasar as análises, empregamos os estudos de Muñoz Álvarez (2000), Bourdieu (2010), Butler (2007) e Figueiredo (2008).
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