CORPO, METAMORFOSE E RESISTÊNCIA FEMININA: PATRIARCADO E VIOLÊNCIA RITUAL EM “YO, COCODRILO”, DE JACINTA ESCUDOS

Autores

  • Andre Rezende Benatti Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
  • Ana Paula Ostapenco de Souza Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Palavras-chave:

metamorfose, patriarcado, crítica feminista, Jacinta Escudos, literatura latino-americana, Yo, cocodrilo

Resumo

A complexa luta das mulheres contra o patriarcado e sua constante busca por transformação e autonomia é refletida especialmente em narrativas femininas. Personagens femininas, muitas vezes, encontram-se em meio a normas patriarcais, internalizando expectativas que reforçam a submissão, o que evidencia o impacto dessas normas na vida íntima e subjetiva das mulheres. Mesmo ao tentarem resistir, enfrentam obstáculos que as levam a reproduzir esses padrões, criando uma dinâmica de opressão e, ao mesmo tempo, de sutis atos de resistência. Rituais sociais, como casamento e maternidade, reforçam a ideia de que a identidade feminina está atrelada à sua função dentro da família e da sociedade, moldando a autoimagem das mulheres. Em alguns casos, a violência entre mulheres ilustra a competição em um ambiente de recursos limitados e a busca por validação masculina, desvirtuando a verdadeira solidariedade feminina e, indiretamente, sustentando o patriarcado. Um exemplo simbólico desse embate aparece na transformação da protagonista em "Yo, Cocodrilo", onde, ao se transformar em crocodilo, ela desafia as normas patriarcais, obtendo uma força que transcende os papeis impostos a ela. Esta metamorfose representa a superação dos limites e um ato de rebelião que subverte as expectativas de gênero, marcando uma ruptura radical com as tradições opressivas. No conto que será analisado neste artigo, veremos que o corpo, símbolo sagrado de identidade na sociedade, é transformado em objeto de metamorfose do sujeito, como uma estratégia de sobrevivência em um contexto patriarcal, onde rituais de mutilação feminina são praticados. Para embasar as análises, empregamos os estudos de Muñoz Álvarez (2000), Bourdieu (2010), Butler (2007) e Figueiredo (2008).

Biografia do Autor

Andre Rezende Benatti, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Doutor em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq (Nível C) e Professor Adjunto IV da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Atua como coordenador do Programa de Pós-Graduação em Letras da UEMS e é editor-chefe da Revista de Estudos Literários da UEMS (REVELL). Integra a gestão acadêmico-editorial nacional como coordenador do Fórum de Editores da ANPOLL – Área de Literatura (biênio 2024–2026) e membro do Conselho Deliberativo da ANPOLL na Área de Estudos Literários (2024–2028).

Ana Paula Ostapenco de Souza, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Mestranda em Letras na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

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Publicado

2026-07-30

Como Citar

Rezende Benatti, A., & Ostapenco de Souza, A. P. (2026). CORPO, METAMORFOSE E RESISTÊNCIA FEMININA: PATRIARCADO E VIOLÊNCIA RITUAL EM “YO, COCODRILO”, DE JACINTA ESCUDOS. Revista E-Scrita, 17(1), 200–221. Recuperado de https://revistasuniabeu.com.br/index.php/revista-e-scrita/article/view/187