ESTRATÉGIAS VISUAIS E PLURILÍNGUES NA FORMAÇÃO LEITORA DE SURDOS SINALIZANTES BRASILEIROS: INTERCOMPREENSÃO E COMUNICAÇÃO EXOLÍNGUE EM LÍNGUA DE SINAIS
Palavras-chave:
Educação literária plurilíngue, surdos sinalizantes, abordagens visuaisResumo
Este artigo analisa a formação de leitores Surdos Sinalizantes (SS) brasileiros no contexto bilíngue entre as Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a Portuguesa (escrita), a partir de abordagens visuais e plurilíngues, com ênfase nas estratégias de intercompreensão (IC) e comunicação exolíngue (CE) em língua de sinais (LS). Fundamentado por Zeshan (2000), Cuxac (2000), Quadros (2005, 2017), Silva (2023), Karnopp (2006) e Campello (2008), o estudo propõe uma análise qualitativa de práticas pedagógicas que integram recursos visuais, textos multimodais e mediação em Libras. São examinadas experiências documentadas entre 2000 e 2023, incluindo oficinas com histórias em quadrinhos, círculos de leitura bilíngues e uso de recursos tecnológicos. A investigação busca compreender como essas estratégias podem ser efetivamente aplicadas em contextos educacionais que envolvem estudantes SS, respeitando suas especificidades linguísticas e culturais. Os resultados indicam que a adoção de práticas de leitura que valorizem a visualidade, a iconicidade e a Libras enquanto língua de instrução/mediação ampliam a autonomia leitora, a compreensão textual e o engajamento literário. Conclui-se que o reconhecimento da visualidade como via legítima de acesso ao conhecimento é essencial para uma educação plurilíngue inclusiva e acessível à diversidade linguística e cultural dos Surdos.
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