A LUDICIDADE NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E SOCIAL DA CRIANÇA SURDA
Palavras-chave:
Ludicidade, Brincadeira, Crianças SurdasResumo
Este estudo analisa os conceitos de jogo e brincadeira a partir de distintas perspectivas teóricas, com ênfase nas experiências lúdicas de crianças surdas. Por meio de revisão bibliográfica, destacam-se as contribuições de autores como Kishimoto (1995, 1996), Torres (2020) e Musyoka (2015), que evidenciam as diferenças entre o jogo, caracterizado por uma estrutura formal de regras, e a brincadeira, marcada pela espontaneidade e subjetividade. No contexto da infância surda, a visualidade emerge como eixo central das práticas lúdicas, sendo a ludicidade, conforme Luckesi (2014), um estado intrínseco de prazer e engajamento indispensável para o desenvolvimento cognitivo, sobretudo quando mediado pela Língua Brasileira de Sinais (Libras). O brincar das crianças surdas apresenta temáticas similares às das crianças ouvintes, mas se distingue na expressão por uma corporeidade visual e gestual singular. Defende-se a implementação de práticas pedagógicas bilíngues, culturalmente sensíveis e acessíveis visualmente, que valorizem a identidade surda e superem abordagens adaptativas convencionais. Reconhece-se o brincar como atividade simbólica e política promotora do desenvolvimento integral. Conclui-se, portanto, que garantir o direito ao brincar na infância surda requer o reconhecimento da visualidade como dimensão identitária e a inclusão de adultos surdos como referências culturais, constituindo jogos e brincadeiras como espaços de afirmação da linguagem, cultura e subjetividade.
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