AUTOFICÇÃO E AS MENTIRAS QUE CONTAMOS, DE PHILIPPE BESSON
Keywords:
autoficção, Literatura Francesa Contemporânea, Memória, RomanceAbstract
Esta resenha apresenta os aspectos da autoficção e sua estrutura em Mentiras que contamos (2024), do escritor francês Philippe Besson. Ao entrecruzar o rigor do registro identitário de Lejeune com a liberdade fabulatória de Doubrovsky, Besson oferece mais do que um relato de época ou um depoimento pessoal. Ao mapear o recorte sensorial das vivências traumáticas de Philippe e Thomas Andrieu — atravessadas pela homofobia estrutural, o medo da epidemia de SIDA/AIDS e a opressão da província francesa —, a resenha elucida como a narrativa opera um meandro existencial em que a fronteira entre autor, narrador e personagem se rompe, transformando a mentira ficcional no único veículo capaz de traduzir a verdade do que foi interditado. Ao 'quebrar' a si mesmo e a seus personagens no altar da ficção, Besson demonstra que a arte não existe para restituir a realidade tal como foi, mas para reinventá-la onde a vida falhou.
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