AUTOFICÇÃO E AS MENTIRAS QUE CONTAMOS, DE PHILIPPE BESSON

Autores

  • JANDERSON GOMES UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL

Palavras-chave:

autoficção, Literatura Francesa Contemporânea, Memória, Romance

Resumo

Esta resenha apresenta os aspectos da autoficção e sua estrutura em Mentiras que contamos (2024), do escritor francês Philippe Besson. Ao entrecruzar o rigor do registro identitário de Lejeune com a liberdade fabulatória de Doubrovsky, Besson oferece mais do que um relato de época ou um depoimento pessoal. Ao mapear o recorte sensorial das vivências traumáticas de Philippe e Thomas Andrieu — atravessadas pela homofobia estrutural, o medo da epidemia de SIDA/AIDS e a opressão da província francesa —, a resenha elucida como a narrativa opera um meandro existencial em que a fronteira entre autor, narrador e personagem se rompe, transformando a mentira ficcional no único veículo capaz de traduzir a verdade do que foi interditado. Ao 'quebrar' a si mesmo e a seus personagens no altar da ficção, Besson demonstra que a arte não existe para restituir a realidade tal como foi, mas para reinventá-la onde a vida falhou.

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Publicado

2026-07-30

Como Citar

GOMES, J. (2026). AUTOFICÇÃO E AS MENTIRAS QUE CONTAMOS, DE PHILIPPE BESSON. Revista E-Scrita, 17(1), 253–256. Recuperado de https://revistasuniabeu.com.br/index.php/revista-e-scrita/article/view/357